Não estou falando de gramática. Estou falando dos erros que fazem você perder credibilidade numa sala com gente de Nova York, Londres ou Singapura — e que nenhum curso de inglês tradicional te ensina a evitar.
Depois de centenas de aulas com executivos em São Paulo — gente de banco, tech, private equity, multinacional — comecei a notar um padrão. Os mesmos 6 erros aparecem de novo e de novo. E o pior: são erros invisíveis. A pessoa não percebe que está cometendo. Ninguém corrige na hora. Mas o impacto é real.
1. Traduzir a lógica do português, não só as palavras
Esse é o mais comum e o mais difícil de perceber.
Em português, a gente constrói argumentos de forma circular — dá contexto, explica o cenário, e só no final chega ao ponto. Em inglês corporativo, é o contrário. O ponto vem primeiro. Depois a justificativa.
O que parece na prática:
O executivo brasileiro passa 2 minutos dando contexto sobre a situação no mercado, a história do projeto, as dificuldades da equipe... e o americano já perdeu a paciência esperando a conclusão.
A correção não é linguística — é estrutural. Comece pela recomendação. Depois explique por quê.
2. Usar "actually" achando que significa "atualmente"
Parece besteira. Mas esse false cognate muda completamente o tom da frase.
- "Actually, we're growing 20%" — soa como uma correção, como se alguém tivesse dito o contrário
- "Currently, we're growing 20%" — é o que você quer dizer
Outro clássico: "eventually" não significa "eventualmente" (de vez em quando). Significa "no final das contas, inevitavelmente". Trocar isso numa board presentation cria confusão real.
3. Ser vago demais com números e compromissos
Cultura brasileira é mais relacional. "A gente vê isso depois", "vamos tentar encaixar", "em breve" — tudo isso funciona aqui. Em inglês corporativo, especialmente com americanos, soa como falta de comprometimento.
Compara:
- "We'll try to deliver soon" — fraco, vago
- "We'll deliver by Friday EOD" — concreto, confiável
Não é que você precisa ser robótico. Mas em inglês profissional, especificidade é sinônimo de competência.
4. Pedir desculpas demais
Brasileiro em reunião em inglês: "Sorry, can I just say something?", "Sorry, I didn't understand", "Sorry to interrupt but..."
Pedir desculpa antes de contribuir sinaliza que você não deveria estar falando. Substitua por:
- "I'd like to add something here."
- "Could you clarify that point?"
- "Let me jump in — "
Um "sorry" de vez em quando é educado. Cinco numa reunião de 30 minutos é um problema de posicionamento.
5. Não saber encerrar o próprio ponto
Isso é sutil. A pessoa faz uma contribuição boa — e depois continua falando. Reformula, adiciona um "basically...", repete com outras palavras. O ponto se dilui.
Em inglês, silence after your point é poder. Fale, pare. Deixe o silêncio confirmar que você terminou. A tentação de preencher o vazio é forte — mas resista.
O oposto de ser claro não é ser breve — é ser repetitivo.
6. Falar rápido demais para compensar insegurança
Quando alguém se sente inseguro no inglês, o instinto é acelerar. Acabar logo. Tirar o band-aid de uma vez. Mas o efeito é o oposto — a fala fica menos clara, a pronúncia piora, e o interlocutor perde pedaços.
A solução é contraintuitiva: desacelere. Líderes falam devagar. Pense em qualquer CEO gringo em entrevista — pausas longas, ritmo deliberado. Velocidade não é fluência. Clareza é.
O que fazer com isso
Esses erros não se corrigem estudando mais gramática ou assistindo série com legenda. Se corrigem com prática deliberada em contexto real — simulando as reuniões que você realmente vai ter, com feedback direto sobre como você soa (não só sobre o que você diz).
É exatamente isso que trabalho com meus alunos nas aulas de Business English aqui no Brooklin. Cada sessão é construída em torno das situações reais da sua semana.
Se você se reconheceu em algum desses erros — e se preparar melhor para reuniões é prioridade — leia também: Como se preparar para uma reunião em inglês.
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